O Spitz alemão, também conhecido popularmente como Lulu da Pomerânia, é uma raça que cativa corações com sua aparência encantadora de “ursinho de pelúcia”. No entanto, por trás de tanta fofura, esconde-se uma personalidade vibrante e um temperamento que merece atenção. Se você está considerando trazer um desses pequenos para casa, ou já tem um e deseja compreendê-lo melhor, este artigo é para você. Vamos desmistificar o que realmente significa conviver com um Spitz alemão, explorando desde sua energia e inteligência até sua sociabilidade e particularidades.
Ao contrário de informações genéricas que podem levar a expectativas equivocadas, a realidade de ter um Spitz alemão é rica e multifacetada. São cães que, apesar do tamanho, possuem uma presença notável, capazes de demonstrar uma gama surpreendente de emoções e comportamentos. Compreender essas nuances é a chave para construir uma relação harmoniosa e feliz com seu companheiro de quatro patas.
Um cãozinho com personalidade marcante
A personalidade do Spitz alemão é frequentemente descrita como corajosa e ativa, mas a experiência real com a raça pode revelar nuances interessantes. Como relata um tutor em seu blog, o Spitz pode ser também o oposto do que é dito por aí. Seu companheiro, por exemplo, é descrito não como um dos mais corajosos, mas sim como um “medo em forma de bola de pêlos”, e extremamente “dado”, o que foge do padrão mais comum de introspecção da raça.
Geralmente, o Spitz alemão tende a ser mais reservado com estranhos, podendo até parecer blasé em interações iniciais. No entanto, a adaptação ao ambiente familiar e aos seus humanos é notável. Essa mesma fonte menciona que seu cão adora interagir com pessoas na rua, buscando atenção e carinho, o que exige que a guia seja mantida firme para evitar saltos em desconhecidos.
Outra característica que pode surgir é um certo ciúme. O cão pode demonstrar desconforto se seus tutores forem abraçados efusivamente por visitas. Essa característica, ligada a uma tendência a serem um pouco mais “obsessivos” com seus donos, é geralmente amenizada pela natureza dócil e amigável da raça. Logo após os minutos iniciais de euforia, o Spitz pode se tornar o melhor amigo da visita, especialmente se for bem recebido.
No dia a dia, o Spitz alemão alterna entre momentos de independência, longos períodos de sono e picos de carência, buscando cafuné. Podem demonstrar objeção em serem pegos no colo, fugindo quando a tentativa é feita, e são conhecidos por dormir bastante. Essa dualidade torna a convivência dinâmica e imprevisível, exigindo flexibilidade dos tutores.
Energia e inteligência: uma dupla dinâmica
A energia do Spitz alemão se manifesta de forma interessante. Embora adoradores de longas sonecas, esses cães também amam correr e explorar. Um passeio matutino pode despertar um foguete em miniatura, com o cão descendo escadas em disparada, ansioso para marcar território e descobrir o mundo lá fora. Contudo, dentro de casa, a energia costuma ser mais contida, a ponto de, em alguns momentos, parecer que não há um cachorro no ambiente.
Apesar de dormirem muitas horas por dia, se dependessem apenas deles, o dia seria dedicado a passeios constantes. Geralmente, um passeio diário bem aproveitado é suficiente para satisfazer essa necessidade de exploração. Existem, sim, momentos de surtos de energia e muita felicidade, que se traduzem em brincadeiras animadas, mas nada que chegue a ser incômodo.
A inteligência é, sem dúvida, um dos pontos mais fortes no temperamento do Lulu da Pomerânia. São cães com um QI bem desenvolvido, o que se traduz em grande expressividade. Conseguem demonstrar facilmente o que sentem e o que desejam, muitas vezes apenas com uma olhada. Seus tutores conseguem compreender suas emoções apenas observando seus rostinhos, e eles são mestres em se comunicar com latidos para expressar exatamente suas necessidades.
Essa inteligência acentuada contribui para a facilidade no adestramento. Por serem bastante obedientes e compreensivos, aprendem rapidamente o que é certo e errado, o que facilita a convivência harmoniosa. A capacidade de entenderem comandos e comportamentos desejados os torna excelentes companheiros para diversas atividades.
Sociabilidade e o amor pela família
Os Spitz alemães são descritos como cães muito sociáveis, tanto com humanos quanto com outros animais. Eles se dão bem com cachorros de outras raças, gatos, roedores e até aves. Podem conviver harmoniosamente com cães do mesmo sexo e de portes diferentes, mostrando grande adaptabilidade.
Eles adoram correr e brincar, o que os torna bons parceiros para cães de porte maior, que conseguem acompanhar seu ritmo agitado. No entanto, é fundamental que os tutores de cães menores fiquem atentos durante essas interações, pois o Spitz, por ser pequeno, pode ser acidentalmente machucado por amigos maiores, mesmo sem intenção.
O amor pela família é um pilar central na vida de um Spitz alemão. São extremamente carinhosos e festejam efusivamente a chegada de seus humanos. É comum que desenvolvam um laço especial com um membro da família, seguindo-o por toda parte e buscando carinho. Apesar desse apego, não são considerados cães excessivamente carentes, contentando-se com algumas horas de atenção diária.
Essa característica os torna adaptáveis a rotinas onde os tutores precisam sair para trabalhar. Desde que recebam atenção e carinho ao retorno e tenham um ambiente adaptado para evitar frustração ou tédio, eles lidam bem com períodos de ausência. A preocupação com seus tutores é tamanha que podem se adaptar ao modo de vida deles, tornando a convivência ainda mais feliz.
A inteligência e a capacidade de expressão desses cães tornam a comunicação e o treinamento uma experiência gratificante para os tutores atentos.
Educação: a chave para um cão bem-comportado
A educação de um Spitz alemão é fundamental para garantir uma convivência harmoniosa, especialmente em ambientes públicos. Tutores responsáveis buscam disciplinar seus cães para que possam frequentar locais pet-friendly sem gerar incômodo. Um exemplo prático é a possibilidade de levar o cão a restaurantes, onde ele pode sentar-se à mesa ou no colo do tutor, sem atacar o prato de comida ou latir incessantemente.
O segredo para esse comportamento controlado reside em uma regra simples: não oferecer comida humana. Ao não provar o alimento, o cão não desenvolve o desejo ou o hábito de pedir, mesmo sentindo o aroma. Isso também estabelece uma clara distinção entre o momento de alimentação do tutor e o do pet.
Muitos Spitz alemães já vêm bem educados de criadores, mesmo muito jovens. Ensinar hábitos como fazer xixi no tapetinho higiênico costuma ser fácil. Alguns, após certa fase ou adaptação, preferem fazer suas necessidades fisiológicas apenas do lado de fora, o que é positivo, mas exige que o tutor esteja preparado para sair mesmo em condições climáticas adversas.
A questão dos latidos é frequentemente levantada. Spitz alemães podem latir, mas geralmente isso ocorre em situações específicas: na chegada de visitas, nos primeiros minutos de euforia, ao quererem chamar atenção para receberem um petisco por algo que fizeram certo (como acertar o tapetinho), ou quando desejam brincar. Portanto, latidos excessivos não são a norma, mas sim uma resposta a estímulos pontuais.
Em suma, a educação é um reflexo direto da condução da relação tutor-cão. A inteligência da raça é um ponto de partida, mas a consistência e a clareza nas regras são determinantes para moldar o comportamento do animal.
Saúde e bem-estar do seu Spitz alemão
A saúde geral do Spitz alemão costuma ser excelente, mas como toda raça, está sujeita a algumas condições específicas. Um dos problemas que podem surgir, e que muitas vezes tem cunho emocional, são pequenas manchas na pele. Se o ambiente doméstico estiver sob estresse, o cão pode manifestar isso fisicamente, o que reforça a importância de um lar calmo e com atenção dedicada ao bem-estar emocional do pet.
Problemas dentários, como o acúmulo de tártaro, podem ocorrer se a higiene bucal não for consistente. A escovação regular dos dentes é essencial, e a persistência nesse hábito desde cedo é crucial. Dentes de leite que não caem podem contribuir para o acúmulo de placa, necessitando, em alguns casos, de intervenção veterinária, como limpeza ou até cirurgia para remoção.
O espirro reverso é outra condição que pode assustar tutores novatos. Caracteriza-se por barulhos estranhos que parecem falta de ar, mas que, felizmente, não representam uma ameaça grave. Essa crise, comum em cães de pequeno porte, dura geralmente menos de um minuto. Saber identificar a causa e tentar acalmar o animal é o procedimento recomendado.
É indispensável manter em dia todas as vacinas, vermífugos e antiparasitários. Um cartão de vacinas atualizado é a garantia de que o cão estará protegido contra diversas doenças, sendo uma medida de precaução fundamental para a saúde e longevidade do Spitz alemão.
Alimentação: nutrição para um cão pequeno e ativo
Uma alimentação saudável e balanceada é crucial para o Spitz alemão, garantindo que ele tenha toda a energia e os nutrientes necessários. O peso desses cães geralmente não ultrapassa os 3 kg, e a quantidade de ração diária fica em torno de 50g. A escolha de uma ração de qualidade, mais palatável e nutritiva, com menos grãos e mais proteínas, como algumas opções premium, é altamente recomendada.
Petiscos devem ser oferecidos com moderação, apenas como complemento e sem tirar o apetite da ração principal. Ocasionalmente, podem ser oferecidos alimentos como carne crua ou frutas. Dê preferência a frutas como melão, morango, manga, banana e maçã, além de queijo e iogurte. Picolés de frutas sem leite também podem ser uma opção refrescante.
É importante lembrar que alguns cães podem ter intolerância à lactose. Portanto, a oferta de laticínios e outros alimentos deve ser feita em pequenas quantidades e de forma intervalada, monitorando qualquer reação adversa. Frutas cítricas e uvas devem ser evitadas, pois podem ser prejudiciais.
A ração, mesmo sendo industrializada, é considerada o ideal por ser balanceada e formulada para suprir as necessidades nutricionais dos cães. A variedade na dieta deve ser feita com cautela e sempre sob orientação veterinária, caso o pet apresente alguma recusa ou enjoos.
Cuidados com o pelo: um ritual de beleza e saúde
O exuberante pelo do Spitz alemão exige atenção e uma rotina de cuidados específica. A pelagem dupla, composta por um subpêlo lanoso e um pelo externo reto e longo, é o que confere o volume característico da raça. A manutenção adequada envolve escovação regular para evitar e remover nós, garantindo que o subpêlo, responsável pela estrutura, seja preservado.
É crucial evitar o uso de rasqueadeiras e certos tipos de escovas que podem danificar o subpêlo e levar à sua queda definitiva. A orientação de criadores especializados é valiosa neste aspecto, pois muitos pet shops podem não ter o conhecimento ou o cuidado necessário para preservar a integridade dessa pelagem tão delicada.
Alternar com idas periódicas a criadores para um “dia de beleza” pode ser uma solução, seguindo as instruções à risca para manter o pelo sempre bonito. A troca de pelo ocorre uma vez por ano, sendo esta a fase em que o volume de pelos caídos é maior. Em circunstâncias normais, a queda é pequena.
A cor do pelo também pode mudar significativamente da fase de filhote para a adulta. É um processo natural que acompanha o desenvolvimento do cão.
A tosa “Boo”, um estilo que imita o visual “Teddy Bear”, embora popular, exige cautela. Ela não combina com todos os Spitz alemães devido à estrutura da cabeça e da pelagem, e apresenta riscos à saúde, como irritação e queimaduras na pele sensível, além de alopecia. Se optar por essa tosa, procure um profissional experiente na técnica. O trimming, uma tosa mais sutil para realçar o formato natural do pelo, é uma alternativa mais segura e frequentemente adotada.
Higiene e gastos: mantendo o bem-estar em dia
A higiene do Spitz alemão envolve banhos regulares com shampoo apropriado para pets. A secagem completa do pelo é essencial para prevenir doenças de pele. A tosa higiênica periódica, aparando os pelos das patas e da região íntima, é necessária para evitar acidentes e manter a limpeza.
Uma curiosidade sobre o pelo do Spitz é que ele não exala o odor típico de cachorro. Mesmo após um longo período sem banho, o cão pode permanecer cheiroso. A aplicação de um perfume canino após o banho é mais por estética e mimo do que por necessidade.
Quanto aos gastos, eles podem variar bastante. Itens essenciais como ração, petiscos, tapetes higiênicos, guia, caixa de transporte, bebedouros e comedouros compõem os custos. Roupas e acessórios, embora tentadores, são considerados supérfluos por muitos tutores, especialmente porque o cão demonstra preferência por espaços mais aconchegantes, como debaixo da cama de seus humanos.
Ao contrário do que se pode pensar, os gastos diários com um Spitz alemão podem ser relativamente baixos, concentrando-se nos itens de consumo. Os demais são investimentos únicos que duram por muitos anos, garantindo o conforto e a segurança do pequeno companheiro.